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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

DIVISÃO DO BOLO...

SEMANA DE DEFINIÇÃO
Samuel Celestino
        
Esta semana merece atenção especial à política e aos políticos. Semana de diplomação dos eleitos sem que a situação de muitos tidos com fichas sujas tenha sido resolvida e, também, de muita confusão nos partidos em torno da disputa de cargos no primeiro escalão de Dilma Rousseff. Enquanto isso, Lula passeia no Nordeste em semana de despedida pelo muito que recebeu na região e também retribuiu.
       Os deputados vão tentar um aumento monstro (acima de 60%) para eles e brigarão por suas emendas orçamentárias que se destinam aos  redutos eleitorais.
      O aumento dos parlamentares é mais um trambique apropriado a momentos em que há desleixo de sintonia entre a opinião pública e o que acontece em Brasília, em conseqüência dos festejos de final de ano. Sempre foi assim na política brasileira.
      Antes, também se usava a Semana Santa para tomar medidas inapropriadas, ou impopulares, como admissões, demissões e para sancionar (ou vetar) projetos. É uma espécie de trapaça no setor público. As medidas tomadas não repercutem.  Somente após o período de desleixo para festas, ou para descanso, quando se volta à normalidade, a ficha cai. Aí não tem mais jeito: a Inês é morta.
        O aumento dos parlamentares, se for aprovado na Câmara, gerará majoração em cascata em relação aos custos dos legislativos (estaduais e municipais) em todo o País. Justo num momento em que a economia brasileira exige cuidados especiais do governo Dilma, que irá se deparar com a necessidade de contenção das despesas públicas, de sorte a segurar a inflação que volta a ameaçar. Além de ter que se preocupar também com a política cambial – de difícil solução – que coloca obstáculos às exportações brasileiras, facilitando as importações que entram no País com o dólar barato.
           A presidente que toma posse no dia primeiro de janeiro vai se enredar, ainda nesta semana, com o seu estranho ministério, boa parte composto por Lula, ao qual se deu ao luxo de escolher para o ministério de Turismo - que exige boa forma física para muitas viagens - um deputado octogenário do Maranhão. Ela está a se defrontar com descontentamentos abertos. Nos Estados, com governadores esquecidos; nos partidos, com a volúpia pelos cargos; e até no PT que vivencia uma guerra interna, quase surda entre as suas diversas correntes. Todas ávidas para tirar nacos da República, se possível em forma de cargos nobres.
           Sempre que toco nas tendências do PT, que brigam para dentro, me vem à memória uma estranha suposição: a legenda é o inverso do PMDB que briga para fora, se expõe. Por não ter a organização do PT. A geléia peemedebista está até calma no momento, com os seus cinco ministros já definidos e mais o vice, Michel Temer. Não cabe, porém, ilusão. O partido é sempre um vulcão capaz de entrar em erupção no Congresso sempre que há uma questão importante do interesse do governo para ser votada. Momento mais do que adequado para cobranças e até vinganças.
            Dilma também está enredada com a arrumação do seu armário ministerial. Em acordo com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB, deslocou o ministério da Integração Nacional, que a princípio ficaria com Fernando Bezerra (ex-prefeito de Petrolina) para Ciro Gomes.
         O cearense é do tipo malcriado e língua ferida. Mas é preparado. Não estava nem aí. Passeava pela Europa e, se é que querem presenteá-lo com um ministério, sua preferência era o da Saúde, passando Bezerra para o ministério dos Portos. Ficará, porém, no da Integração.
           Se a manobra desse certo, (não deu, Dilma convidou ontem Ciro Gomes, oficialmente) fulminaria a possibilidade (pequena) de se encaixar alguém da Bahia, como Jorge Solla. Na verdade, o secretário de Saúde do governo Wagner não aparece nas listas que se fabricam nos bastidores de Brasília, mas, sim, em especulações baianas, até para se resolver (em parte) os problemas daqui. Isso segundo os próprios petistas da terra, que estão sem entender nada. É difícil mesmo entender.
        Deve-se levar em boa consideração que ainda pode chegar o espaço que cabe à Bahia no latifúndio republicano de Dilma. Ontem, aliás, Dilma convidou para o Desenvolvimento Agrário a baiana Lúcia Falcón, que mora em Sergipe há quase duas décadas, mas se vincula a Wagner (foi assessora de economia do Sindiquímica nos anos 80), assim como a Marcelo Deda, governador do Estado vizinho, de quem é secretária do Planejamento. É possível que a melhor cota para a Bahia no primeiro escalão, ainda pode estar a caminho.
           A semana tende a ser decisiva ou quase. A próxima será marcada pelo Natal e a seguinte é dedicada às festas do ano novo.

Bahianotícias (com grifo do Unidos)

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